Bacalhau cozido ou polvo com batata, cenoura, couve portuguesa e ovo cozido, mais umas azeitonas e (2) fatias de pão, regado com (um) copo de vinho tinto. Para sobremesa arroz doce e para a ceia 1 fatia de bolo rei, frutos secos, filhoses, rabanadas ou sonhos.
É esta a consoada tradicional, com algumas diferenças de região para região, mas basicamente resume-se a estes alimentos.
Actualmente verifica-se um certo exagero em algumas consoadas portuguesas, se não vejamos, a inclusão do perú, como segundo prato, sendo um excesso na ingestão de proteína. Pode-se especular que a quantidade de álcool ingerido também aumente, uma vez que o volume de alimento é maior, sendo um facto preocupante e que no fundo diz respeito a todos nós quando nos deparamos com os números de acidentes rodoviários que ocorrem com frequência nessa altura.
O facto de a sobremesa e o petiscar que se segue pela ceia fora, ser já um excesso, é algo que sendo uma vez, numa época festiva, se pode aceitar, mas não se pode entrar em requintes desnecessários e excessivos que contrariam qualquer lógica e até o próprio simbolismo da época festiva.
Essa mesma época nos dias de hoje é provavelmente desprovida de simbolismo. Resta-nos esperar não ver substituído o azeite, o pão, a azeitona e o vinho, por um óleo qualquer, um derivado de pão de forma, snacks fritos e refrigerantes.
É necessário lembrar que riqueza nem sempre significa abundância, e como todos os excessos, este é mais um da nossa sociedade cada vez menos genuína e cada vez mais excessiva em tudo.
Mas apesar de tudo isto, a consoada, de uma forma geral feita com moderação ou mesmo com algum pequeno excesso, fornece praticamente todos os nutrientes; talvez por ser uma refeição rica em variedade e qualidade, não é a quantidade de alimentos do mesmo grupo que a irá enriquecer nutricionalmente.
Jorge Martinho
artigo publicado no Jornal Lisboa Ginásio Clube
